Ações de saúde mental no trabalho: gasto ou investimento?


Estamos todos muito cansados e isso não é novidade para ninguém – em especial no decorrer da pandemia e no "pós". No trabalho, essa exaustão fica ainda mais evidente, uma vez que a pressão por resultados raramente diminui.


Na matéria publicada na Você RH, da editora abril, Thais Gameiro, especialista em neurociência organizacional, atribui parte disso aos resquícios da pandemia. "Existe um saldo emocional da pandemia que não se esgotou", pontua. Ainda que a rotina esteja impondo uma aparente volta à normalidade, o impacto psicológico de tudo o que vivemos desde o início da covid-19 até aqui ainda vai marcar presença por algum tempo.


A mesma publicação explica que, geralmente, em períodos de crise, as pessoas atravessam diferentes fases. A primeira delas é um aumento de energia para lidar com todas as novidades urgentes e, depois, essa energia cai, e há a tendência de se sentirem mais frustrados, desanimados e vulneráveis. Depois e por último, vem a recuperação. A psicóloga Marcia Barone, da Falla Saúde Mental, acredita que os brasileiros estão vivendo essas duas últimas etapas.


Lideranças cansadas

Se fora do trabalho lidar com a pandemia já é extremamente desafiador, há um peso ainda maior no trabalho, uma vez que a "volta ao normal" exige uma série de readequações. As lideranças não passam batidas nesse contexto, em especial porque, além de lidarem com o próprio cansaço, espera-se delas que gerenciem e lidem com a exaustão mental de sua equipe.


E os dados comprovam: de acordo com o estudo "Inteligência Emocional e Saúde MEntal no Ambiente de Trabalho", realizado em 2021 pela The School of Life em parceria com a Robert Half, 87,5% dos líderes assumiram ter sofrido algum impacto na saúde mental durante a pandemia. O maior erro por parte dos gestores – e provavelmente o que contribuiu para esse número alto – foi, como citou a reportagem da Você RH, priorizar o cuidado dos integrantes da equipe antes de cuidar de si. E os motivos para isso são vários.


Investir em saúde mental no trabalho é um gasto desnecessário?

Definitivamente não. Afinal, todos esses estresses não parecem ter outro resultado senão a síndrome de burnout – que, não por acaso, foi categorizada como doença ocupacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no início deste ano.


Além de pensar nas consequências desse esgotamento para a saúde mental, que são as mais importantes, os impactos de uma geração cansada também trazem prejuízos financeiros. A estimativa da International Stress Management Association (ISMA) é de que o valor pago pelo burnout pode chegar a 80 bilhões de dólares por ano no Brasil.


O aprendizado que fica – e, já deveria estar em prática em todas as empresas, mas sabemos que não é assim na vida real – sem dúvidas, é a importância de valorizar a saúde mental e investir em benefícios dessa categoria para os colaboradores. No fim das contas, todo mundo sai ganhando: o time se sente mais feliz e motivado e isso impacta positivamente nos resultados de qualquer negócio.


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